13/11/2008 - 11:00

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12/11/2008 - 10:10

Sobre sono, sonhos e R.E.M. em São Paulo


Quem se aventura a escrever sobre música pop (em blog, site, jornal, revista, guardanapo ou papel higiênico) acaba, por fim, ficando chato. Ok, não posso falar por todos, só por mim, mas tudo que aconteceu nas últimas semanas apesar reforça essa questão. Tipo: alguns amigos não entendem o motivo de eu não ter me empolgado com o KaiserChiefs enquanto eles adoraram e reportagens de grandes jornais definiam o show como “catártico”. Aquilo? Catártico? Piada. E das ruins.

E não é que o show deles seja ruim. Eles aprenderam os clichês, usam bem, mas precisam de muito Toddynho até, um dia, conseguirem fazer uma apresentação digna do adjetivo catártico. Um fã tem todo o direito de amar e dizer que a sua banda é a coisa-mais-linda-do-mundo-que-eu-amo-e-não-me-interessa-o-resto, mas alguém que escreve sobre música precisa deixar o fanatismo de lado, respirar fundo e tentar entender aquele momento encaixado em uma situação de tempo/espaço.

É uma equação bastante simples: eu, por, exemplo, escrevo sobre música (shows, discos, bobagens) de duas a quatro vezes por semana. Vamos pegar a média, três, e multiplicar por 52 semanas e teremos mais de 150 textos de música publicados em um ano (às vezes mais, às vezes menos). Esse número pressupõe que seu cérebro, acostumado a tudo que você ouviu e escreveu durante certo período, consiga mensurar qualidade com base na comparação às coisas que sugerem análise.

Curto e grosso ao ponto: uma pessoa que diz maravilhas do show do KaiserChiefs é:

1) Fã
2) Não tem base de comparação
3) Gostaria de qualquer show, pois gostar faz parte.
4) Não tem opinião
5) Todas as alternativas.

Não há nenhum problema em se encaixar em alguma dessas alternativas desde que você saiba disso (ok, há um problema na 4, pois pessoas sem opinião podem ser manipuladas, e o mundo precisa dessa opinião, certa ou errada, para gerar conflitos e acordos). O que mais incomoda, no entanto, é a deterioração do valor dos adjetivos. Até parece que tudo é maxi, mega, super sensacional e catártico, porém, se o show do KaiserChiefs é catártico, o que dizer do show do R.E.M.?

Isso realmente me incomoda. Em duas noites, em São Paulo, o R.E.M. colocou no bolso o line-up completo do Planeta Terra, e sacudiu (vamos deixar a Mallu Magalhães de fora, pois ela é café-com-leite). Por uma razão que ouso desconhecer, muitas pessoas ignoram níveis de comparação, e colocam tudo no mesmo saco, misturando farinha com Bourbon francês numa paixão tão duradoura quanto a lembrança do almoço que você comeu no dia 12 do mês passado.

Então vamos colocar as coisas no seu devido lugar: enquanto o KaiserChiefs fez um show ok, arroz com feijão sem fritas nem bife, mas que alimenta, o R.E.M. serviu um delicioso banquete com pratos assinados por alguns dos maiores chefes do mundo. Sei que alguém deve estar lendo e pensado que “esse cara é maluco: não tem como comparar R.E.M.”, mas então eu respondo: ambos fazem música, tocam para um público, e causas reações com isso. Como não dá para comparar? E como descrever uma apresentação do R.E.M. a contento se estão usando desleixadamente os dicionários de adjetivos?

Este “como” do parágrafo anterior não diz respeito apenas a quem escreve, mas também a quem lê: “Como esse cara pode estar falando uma bobagem dessas?”. Duvide. Sempre. Ou quase sempre. Não precisa duvidar, por exemplo, que o R.E.M. fez dois shows além das palavras em São Paulo, diferentes entre si, mas completamente iguais em qualidade: o primeiro mais melódico, excitante, atual. O segundo mais barulhento, cansado e antigo. Entre um e outro, 35 músicas diferentes.

Quantidade não garante qualidade, diria o esperto. O problema é que estamos diante de uma das três melhores bandas de rock do mundo em atividade nos últimos 20 anos (escolha as outras duas), e uma das poucas que além de não virar cópia de si mesma, ainda consegue criar material instigante após tanto tempo de janela. Vindo deles, quantidade e qualidade andam de mãos dadas movidas a acordes ensandecidos da Rickenbaker de Peter Buck, do baixo e vocal marcantes de Mike Mills, e da forte presença de palco de Michael Stipe.

Há, em ambas as noites, recados em pró da Anistia Internacional, homenagens ao novo presidente dos EUA, Barrack Obama (“Obamatic For The People” surge no telão), e ataques aos Bush pai e filho e a uma certa governadora do Alaska. Há, também, momentos de comoção coletiva em “Everbody Hurts” (um dos momentos mais brilhantes do show), “Losing My Religion” (que, na segunda noite, sacudiu até uma senhora de – provavelmente – mais de 60 anos atenta ao telão na pista do Via Funchal), “The One I Love”, “Man On The Moon” e “It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)”.

O tom da apresentação é dado pelas canções do álbum mais recente do trio, “Accelerate”, rápido, alto e urgente. O volume das guitarras é altíssimo. A bateria massacra em várias partes. Michael corre de um lado para outro, dança e comanda o público com maestria exibindo uma força vocal e gestual que impressiona. Mike Mills, principal estrela de “Accelerate”, além de segurar tudo no baixo ainda faz backings precisos e, na primeira noite, comanda a banda no country “Don’t Go Back To (Rockville)”.

Como espetáculo, a apresentação do R.E.M. é irretocável, deslumbrante, catártica. Fãs choram pelos cantos e meios da casa abarrotada de gente (em momentos diversos como por exemplo “Fall on Me” e “Electrolite”, presentes na primeira noite, e “I’ve Been High” e “Nightswimming” na seguinte). Há uma ligação tão forte entre público e banda que não consegue passar despercebida, mesmo quando Michael pede para o público levantar as mãos e aplaudir o show chato de Wilson Sideral, na abertura dos trabalhos.

Em retrospecto, apesar da excelência, os dois shows de São Paulo não conseguiram bater em emoção a apresentação inesquecível do Rock in Rio 3, mas soaram melhores (como um todo) que os shows do Rock Werchter, na Bélgica (“Electrolite”, lá, valeu uma vida), e do T In The Park, na Escócia. O som estava mais furioso (o local fechado, ao contrário do imenso palco dos dois festivais, colaborou), quase uma dezena de amigos tomava uma das fileiras da esquerda da platéia do Via Funchal, e essa coisa clichê do “obrigado” – em português mesmo – acaba realmente aproximando: ver show em casa é outra coisa.

Ao vivo, o R.E.M. causa um tipo de comoção que não se sente todos os dias. O tipo de sensação que faz você se sentir bem (apesar de “Chinese Democracy”, a crise econômica mundial e o fim do mundo – que todo mundo sabe). Por mais que jornais (sites, blogs e aviões na orla do litoral norte paulistanos) necessitem de manchetes sensacionais para vender mais, também é preciso clareza, conhecimento e um pouco de chatice (e/ou ser honesto e impiedoso) ao lidar com qualquer coisa cuja base seja sua opinião. É por isso tudo que o show do KaiserChiefs foi ok (com alguns momentos de sono) e o R.E.M. foi antológico (com breves momentos de sonho). Você pode até discordar, mas estará errado. :)~

R.E.M. em São Paulo, primeira noite
Novembro 10th, 2008
01) “Living Well Is The Best Revenge
02) I Took Your Name
03) What’s The Frequency, Kenneth?
04) Fall On Me
05) Drive
06) Man-Sized Wreath
07) Ignoreland
08) Hollow Man
09) Imitation of Life
10) Electrolite
11) Great Beyond
12) Everbody Hurts
13) She Just Wants To Be
14) The One I Love
15) Sweetness Follows
16) Let Me In
17) Bad Day
18) Horse To Water
19) Orange Crush
20) It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)

Bis
21) Supernatural Superserious
22) Losing My Religion
23) Animal
24) (Don’t Go Back To) Rockville
25) Man On The Moon

R.E.M. em São Paulo, segunda noite
Novembro 11th, 2008
1. Living Well Is the Best Revenge
2. These Days *
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Driver 8 *
5. Drive
6. Man-Sized Wreath
7. Ignoreland
8. Exhuming McCarthy *
9. Imitation of Life
10. Pretty Persuasion *
11. Great Beyond
12. Everbody Hurts
13. Seven Chinese Brothers *
14. One I Love
15. I’ve Been High *
16. Nightswimming *
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ *
19. Orange Crush
20. It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)

Bis
21. Supernatural Superserious
22. Losing My Religion
23. Maps & Legends *
24. Begin the Begin *
25. Man On The Moon

* não foram tocadas na primeira noite

Leia, veja e ouça também:
– “Accelerate”, do R.E.M: Cinismo e barulho, por Marcelo Costa (aqui)
– R.E.M. apresenta as novas canções ao vivo no Blogotheque (aqui)
– Cinco shows – que eu vi – para baixar e ouvir: R.E.M. na Bélgica (aqui)
– R.E.M ao vivo no Rock In Rio 3, por Marcelo Costa (aqui)
– R.E.M. – Discografia comentada, por Marcelo Costa (aqui)
– R.E.M. no Rock Werchter, na Bélgica, por Marcelo Costa (aqui)
– R.E.M. no T I The Park, na Escócia, por Marcelo Costa (aqui)

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03/11/2008 - 08:34

Como vão ser os shows do R.E.M. no Brasil


Todas as fotos, R.E.M. no T In The Park: por Marcelo Costa
Após sete anos da apresentação arrebatadora do Rock In Rio 3, o R.E.M. volta ao Brasil para uma mini-turnê de quatro apresentações que começa na próxima quinta-feira (06), em Porto Alegre, segue-se no sábado no Rio de Janeiro (08), e termina com duas noites em São Paulo, segunda (10) e terça (11). Ainda há ingressos para as quatro apresentações. Ao contrário do show “greatest hits” que o grupo apresentou no Rock In Rio, as apresentações da nova turnê centram foco no excelente último álbum do grupo, “Accelerate”, mas também trazem velharias do fundo do baú, clássicos incontestes e talvez uma canção inédita. Então, cuidado com o vem a seguir. Spoilers à vista.

Desde que Michael Stipe, Peter Buck e Mike Mills colocaram o pé na estrada no começo de março, na Flórida, EUA, já se foram quase 80 apresentações com muitas curiosidades. Na perna norte-americana da turnê, Johnny Marr (ex-Smiths, atual Modest Mouse, banda que estava abrindo os shows do R.E.M. nos EUA) subiu ao palco em mais de dez oportunidades para tocar guitarra em “Fall On Me”, “Man On The Moon” e “Pretty Persuasion”. Eddie Vedder engrossou o coro vocal de “Begin to Begin” na Filadélfia.

Cruzei com o R.E.M. duas vezes em julho na Europa e o que é possível adiantar é que faço parte do coro que diz que a banda está totalmente em forma atravessando um dos melhores momentos de sua carreira. Em média, o set list traz 23 canções que privilegiam o repertório de “Accelerate”, mas abrem espaço para canções de “Reckoning” (oito canções do disco já foram tocadas na nova turnê), “Automatic For The People” (que comparece com sete canções), “Document” e “Monster” (seis canções cada). Canções de todos os álbuns já foram tocadas na “Accelerate Tour”.

Ou seja: um show do R.E.M. nunca é igual ao outro. É possível arriscar – com uma grande margem de acerto – a espinha dorsal dos shows, mas o restante é uma grande surpresa. Assim, duas faixas de “Accelerate” tem lugar garantido no show, pois foram as únicas músicas tocadas em todas as apresentações do R.E.M. em 2008: “Living Well Is The Best Revenge” e “Supernatural Superserious”. Outras que devem aparecer são “Man-Sized Wreath”, “Horse To Water” e “Hollow Man”.

A espinha dorsal da “Accelerate Tour” é feita por uma série de clássicos que foram se fixando no set-list conforme a banda experimentava números. “What’s The Frequency, Kenneth?” é – sempre – uma das três primeiras canções do show. “Ignoreland”, “Drive” e “Electrolite” formam o núcleo central da apresentação. A primeira, um belo número do álbum “Automatic For The People”, nunca havia sido tocada ao vivo pela banda. Entrou no repertório da turnê em maio e não saiu mais.

“Electrolite” é um dos grandes momentos do show. Michael conversa com o público, pede para que todos elevem seus celulares aos céus, e diz que as luzinhas dos aparelhos lembram as luzes de Hollywood Hill ao anoitecer. Na segunda parte aparecem “Let Me In”, “Orange Crush” (esta pode estar entre as primeiras canções também), “Imitation Of Life”, “The Great Beyond” e “Walk Unafraid”. A primeira, uma original esporrenta do álbum “Monster” em homenagem a Kurt Cobain, vira um country com todos os músicos numa roda de violão.

O trecho final abre com “The One I Love” e “Bad Day”, e segue com “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”, clássico que ficou fora de toda primeira parte da turnê, mas parece que se fixou no set list agora. Para o bis, “Losing My Religion” e “Man On The Moon”. O set list básico da turnê seria, então, este:

01) “Living Well Is The Best Revenge” ou “What’s The Frequency, Kenneth?”
02)
03) “What’s The Frequency, Kenneth?” ou “Living Well Is The Best Revenge”
04)
05) “Ignoreland” ou “Orange Crush” ou “Fall On Me”
06)
07) “Drive”
08) “Man-Sized Wreath”
09) “Electrolite”
10) “Walk Unafraid”
11) “Imitation Of Life”
12)
13) “Orange Crush”
14) “Horse To Water” ou “Hollow Man”
15) “Let Me In”
16) “The Great Beyond”
17) “The One I Love”
18) “Bad Day” ou “I’m Gonna DJ”
19) “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”

Bis
20) “Supernatural Superserious”
21) “Losing My Religion”
22)
23) “Man On The Moon”

Os espaços em branco podem ser preenchidos com diversos números. Três canções entraram no repertório da turnê nas últimas apresentações, e tem grande chance de aparecer no Brasil para tapar os buracos especiais do set list: “She Just Wants To Be’, “Everybody Hurts” e “I Took Your Name”. Ao todo, a banda já tocou 84 canções diferentes nesta turnê em 2008, o que daria ao trio a chance de fazer quase que quatro shows completamente diferentes entre si. Ou seja, não é possível cravar nada, pois uma apresentação será diferente da outra e todas vão ser históricas. Mas diz ai, o que você gostaria de ouvir?

Abaixo você acompanha a lista de canções e a quantidade de vezes que elas já foram apresentadas na “Accelerate Tour”:

77 – Living Well Is The Best Revenge (Accelerate)
77 – Supernatural Superserious (Accelerate)
75 – Man-Sized Wreath (Accelerate)
74 – Man On The Moon (Automatic For The People)
73 – Horse To Water (Accelerate)
73 – Bad Day (In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003)
73 – Losing My Religion (Out of Time)
72 – Hollow Man (Accelerate)
71 – What’s The Frequency, Kenneth? (Monster)
69 – The One I Love (Document)
67 – Electrolite (New Adventures In Hi-Fi)
67 – Ignoreland (Automatic For The People)
67 – Let Me In (Monster)
65 – Orange Crush (Green)
62 – I’m Gonna DJ (Accelerate)
60 – Drive (Automatic For The People)
58 – Imitation Of Life (Reveal)
50 – The Great Beyond (Man on The Moon)
44 – Fall On Me (Life’s Rich Pageant)
42 – Walk Unafraid (Up)
40 – It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine) (Document)
37 – Houston (Accelerate)
37 – These Days (Life’s Rich Pageant)
24 – Driver 8 (Fables of the Reconstruction)
23 – I’ve Been High (Reveal)
23 – Seven Chinese Brothers (Reckoning)
22 – Accelerate (Accelerate)
22 – Begin The Begin (Life’s Rich Pageant)
22 – (Don’t Go Back To) Rockville (Reckoning)
20 – Animal (In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003)
18 – Pretty Persuasion (Reckoning)
16 – Final Straw (Around The Sun)
14 – Auctioneer (Another Engine) (Fables of the Reconstruction)
14 – Disturbance At The Heron House (Document)
13 – Until The Day Is Done (Accelerate)
12 – Country Feedback (Out of Time)
12 – She Just Wants To Be (Reveal)
12 – So Fast, So Numb (New Adventures In Hi-Fi)
12 – Sweetness Follows (Automatic For The People)
11 – Circus Envy (Monster)
11 – I Took Your Name (Monster)
10 – West Of The Fields (Murmur)
09 – Harborcoat (Reckoning)
09 – Nightswimming (Automatic For The People)
09 – Time After Time (Annelise) (Reckoning)
08 – Exhuming McCarthy (Document)
08 – Get Up (Green)
08 – Just A Touch (Life’s Rich Pageant)
08 – So. Central Rain (Reckoning)
07 – Find The River (Automatic For The People)
07 – Little America (Reckoning)
07 – Second Guessing (Reckoning)
07 – Strange Currencies (Monster)
07 – Welcome To The Occupation (Document)
05 – At My Most Beautiful (Reveal)
05 – Cuyahoga (Life’s Rich Pageant)
05 – Departure (New Adventures in Hi-Fi)
05 – Sitting Still (Murmur)
05 – The Wake-Up Bomb (New Adventures in Hi-Fi)
04 – 1,000,000 (Chronic Town)
04 – Finest Worksong (Document)
04 – Maps And Legends (Fables of the Reconstruction)
04 – Mr Richards (Accelerate)
04 – Sing For The Submarine (Accelerate)
04 – Star 69 (Monster)
04 – Wolves, Lower (Chronic Town)
03 – Life And How To Live It (Fables of the Reconstruction)
03 – World Leader Pretend (Green)
02 – Everybody Hurts (Automatic For The People)
02 – Leaving New York (Around The Sun)
02 – Pilgrimage (Murmur)
02 – Pop Song 89 (Green)
02 – Staring Down The Barrel Of The Middle Distance (Inédita)
01 – Airliner (B-Side Accelerate)
01 – Carnival Of Sorts (Chronic Town)
01 – Feeling Gravitys Pull (Fables of the Reconstruction)
01 – Gardening At Night (Chronic Town)
01 – Have You Ever Seen The Rain?
01 – I Wanna Be Your Dog
01 – New Test Leper (New Adventures In Hi-Fi)
01 – Perfect Circle (Murmur)
01 – Shaking Through (Murmur)
01 – Turn You Inside Out (Green)

Quando cada álbum cedeu de canções para a turnê:
“Accelerate” (2008) – 12 músicas
“Reckoning” (1984) – 08 músicas
“Automatic For The People” (1992) – 07 músicas
“Document” (1987) – 06 músicas
“Monster” (1994) – 06 músicas
“Fables of the Reconstruction” (1985) – 05 músicas
“Green” (1988) – 05 músicas
“Life’s Rich Pageant” (1986) – 05 músicas
“Murmur” (1983) – 05 músicas
“New Adventures In Hi-Fi” (1996) – 05 músicas
“Chronic Town” (1982) – 04 músicas
“Reveal” (2001) – 04 músicas
“Around The Sun” (2004) – 02 músicas
“Out of Time” (1991) – 02 músicas
“Covers” – 02 músicas
“In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003” (2003) – 02 músicas
“Inédita” – 01 música
“Up” (1998) – 01 música

Leia, veja e ouça também:
– “Accelerate”, do R.E.M: Cinismo e barulho, por Marcelo Costa (aqui)
– R.E.M. apresenta as novas canções ao vivo no Blogotheque (aqui)
– Cinco shows – que eu vi – para ouvir: R.E.M. na Bélgica (aqui)
– R.E.M ao vivo no Rock In Rio 3, por Marcelo Costa (aqui)
– R.E.M. – Discografia comentada, por Marcelo Costa (aqui)

Três grandes momentos do show de Werchter, na Bélgica, em julho, com imagens em excelente qualidade do telão:


O começo do show: “Orange Crush”


O meio do show: “Electrolite”


O final do show: “Supernatural Superserious”

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28/10/2008 - 08:00

Disco da Semana: Macao, de Jards Macalé


É sintomático que Jards Macalé, Macao para os amigos, abra o décimo disco de sua carreira – de quase 40 anos de janela – com “Farinha do Desprezo”, parceria com Capinan circa 68/69 que abriu seu primeiro disco, homônimo, em 1973. Agora, mais ainda, os versos “já comi muito da farinha do desprezo / não, não me diga mais que é cedo / (…) Só vou comer agora da farinha do desejo” soam fortes e emblemáticos. Para uma versão a altura da original (que conta com Lanny Gordin e Tutty Moreno), Macalé sobrepôs quatro violões rebeldes – todos tocados por ele mesmo – e concentrou-se em uma interpretação arrepiante.

Na segunda faixa, “Boneca Semiótica” (gravada originalmente no segundo álbum de Macalé, “Aprendendo a Nadar”, de 1974), Jards incorpora à melodia de seus violões um sampler da orquestração de Wagner Tiso para a versão original, e ainda programação, prato e garfo, produção, mix e sampler do pessoal do Laptop&Violão, que atualizou a canção (que já era mais 2000 que 1970) de forma interessante (e com uma interpretação mais comovente). “O Engenho de Dentro”, parceria esquecida com Abel Silva, é uma das três canções inéditas de “Macao”, um samba que lembra Paulinho da Viola e destaca um bonito solo de flauta de Dirceu Leite.

“Se Você Quiser” (outra inédita, parceria com Xico Chaves) é um delicioso maxixe que Jards Macalé chama de “samba de berço” e segue o clima de “O Engenho de Dentro”. Já “Balada”, parceria com Ana de Hollanda, tem sotaque jazzy, com o clarinete e o baixo lembrando algo da bela trilha dos “Saltimbancos Trapalhões”, numa letra que procura encorajar novos compositores. “The Archaic Lonely Star Blues” havia sido gravada por Gal Costa no álbum “Legal” (1970), e tem seu primeiro registro na voz do autor numa belíssima versão meio jazz, meio bossa, meio samba-canção.

Entre os homenageados estão Jacques Brel numa versão voz e piano – e em francês – de “Ne Me Quitte Pas”; Lupicinio Rodrigues comparece cedendo a sua “Um Favor” numa versão voz e violões; Tom Jobim, de quem regravou o clássico “Corcovado” (dedicada à Johnny Alf no encarte); Paulo Vanzolini (e São Paulo – “pelo bem que a cidade me fez e nos faz”) na sublime versão de “Ronda”; e, por fim, Luiz Melodia, com “Só Assumo Só”, faixa que mais lembra o Macalé dos shows atuais, engolindo sílabas, violão dissonante em punho cujas notas ásperas acariciam a audição, emoção a flor da pele em uma letra riquíssima de imagens.

A idéia de Jards para “Macao” era gravar tudo voz e violão, mas ele acabou agregando outros instrumentos conforme as gravações corriam (apenas quatro faixas do álbum seguiram a idéia original). No encarte, ele se explica (e se desculpa sem se desculpar): “Neste disco, quanto mais buscava a perfeição, a voz e (principalmente) o violão sibilava, rosnavam; as cordas ruidavam entre o metal, o nylon e a madeira. Me lembrei de Baden Powell e Nelson Cavaquinho que não tinham pudor do ruído. Achei que a perfeição só existe quando você tenta aperfeiçoar o imperfeito… em vão. Deixei como está: humano”. A humanidade da interpretação de Jards Macalé encanta e crava no peito a verdade absoluta do violão: a beleza está nos ruídos.

“Macao”, Jards Macalé (Biscoito Fino)
Preço em média: R$ 30
Nota: 9

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20/10/2008 - 09:00

The Power Of Negative Thinking, The Jesus and Mary Chain


Eles estão há exatos dez anos sem apresentar nada de novo. O último álbum de originais foi “Munki”, de 1998, e nesse meio tempo – desde o anuncio oficial do fim em setembro de 1999 – foram lançadas três coletâneas: “The Complete John Peel Sessions” (2000), vinte e uma canções registradas em seis sessões ao vivo na BBC (incluindo sete registros com Bobby Gillespie na bateria), “21 Singles” (2002), e “BBC – Live in Concert”, com duas apresentações, uma em 1992 e outra em 1995.

Porém, deste janeiro do ano passado, quando os irmãos Reid confirmaram o retorno – que aconteceu oficialmente em abril de 2007, no Festival Coachella, nos EUA – que a espera por um álbum novo se fez urgente. Enquanto o disco novo não sai e a banda não baixa no Brasil para seu show no Planeta Terra 2008 (e em Buenos Aires, no Personal Fest), chega às lojas o box quádruplo “The Power Of Negative Thinking” (“O Poder do Pensamento Negativo”) com raridades e b-sides do grupo escocês.

A rigor, o Jesus já tinha lançado três álbuns de raridades em sua carreira: “Barbed Wire Kisses” (1988), “The Sound of Speed” (1993) e “Hate Rock N’ Roll” (1995), os três extensamente representados em “The Power Of Negative Thinking”. Do primeiro só ficou de fora “Mushroom”, versão ao vivo de 1987 de uma canção do Can. Já do segundo são duas as faixas “esquecidas”: uma versão mais longa de “Reverence” e outra – também estendida – de “Sidewalking”. Por fim, do terceiro ficou de fora o remix de gemidos para “Teenage Lust – Desdemoana Mix”.

Assim, das 81 faixas de “The Power Of Negative Thinking”, 38 já haviam aparecido nas três coletâneas de raridades lançadas. As 43 restantes englobam b-sides, covers e oito números nunca lançados. O box abre com “Up Too High”, retirada da primeira demo do Jesus and Mary Chain, de 1983. Já estava (quase) tudo ali: o vocal tristonho, a paixão por Phil Spector, teclados gélidos. As microfonias ensurdecedoras viriam logo adiante, no single “Upside Down” lançado em novembro de 1984 pelo mítico selo Creation, com “Vegetable Man”, cover barulhenta de Syd Barret, no lado B.

No CD 1, ainda, versões demo de “Just Like Honey”, “My Little Underground” e “The Living End” (as duas últimas, inéditas), a empolgante “The Hardest Walk” (que só saiu na trilha do filme “Alguém Muito Especial”, clássico da Sessão da Tarde anos 80), versões acústicas (“Taste of Cindy”, “Cut Dead”, “You Trip Me Up”) e b-sides poderosos como “Suck”, “Ambition”, “Just out of Reach”, “Boyfriend’s Dead” e a dobradinha “Some Candy Talking”/”Psychocandy”, a música, além da inédita e barulhenta “Walk and Crawl”, gravada em janeiro de 86, e nunca lançada oficialmente.

O segundo CD abre com nuvens de microfonia (“Kill Surf City”, “Bo Diddley Is Jesus” e “Who Do You Love”, cover de Bo Diddley), mas o que impressiona é o ótimo country “Shake”. Versões demo de “Happy When It Rains” (ótima) e “On the Wall” e um remix da cover dos Beach Boys “Surfin’ USA” se destacam em meio a canções que entram no clima “Darklands” como “Break Me Down”, “Shimmer”, “Swing” e “Don’t Ever Change” além de estranhezas como “Penetration” e delicias como “Subway”, “Sidewalking” e “Happy Place”. Fechando, uma cover para o hit “My Girl”.

O CD 3 vem no clima dos álbuns “Automatic”/”Honey’Dead” com bateria à frente em “In the Black”, um q de Beatles perdido sobre o peso dançante de “Terminal Beach”, e covers de Leonard Cohen (“Tower of Song”), Jerry Reed (“Guitarman”, imortalizada por Elvis), Roky Erickson (“Reverberation”) e Willie Dixon (“Little Red Rooster”). Boas canções são recuperadas como as barulhentas “Snakedriver”, “Sometimes”, “Something I Can’t Have” (de riff forte e inesquecível) e “Write Record Release Blues” além das calminhas “I’m Glad I Never”, “Drop”, “Why’d You Want Me” e uma versão acústica de “Teenage Lust”.

Fechando o pacote, o CD 4 centra foco na fase final do grupo com grandes canções que mereciam muito mais destaque. São o caso de “Perfect Crime”, “Little Stars”, uma regravação de “Drop”, o delicioso folk “New York City”, “Ghost of a Smile” (de Shane MacGowan, do Pogues), “Bleed Me”, “Hide Myself”, “Easylife, Easylove”, “40,000K” e duas canções do guitarrista Ben Lurie, que integra a banda desde 1989: “Taking It Away” e a pungente “Rocket”. Há ainda a inédita “Till I Found You”, versões demo para “Dirty Water” e uma estranha cover para “Alphabet Street”, de Prince.

Além dos quatro CDs, “The Power Of Negative Thinking” ainda traz um livreto de 64 páginas com entrevistas com os intregrantes da banda e um pôster que mapeia a arvore genealógica com todo mundo que passou pela banda de 1983 até a turnê de divulgação do álbum “Munki”, em 1998. Mais do que compilar b-sides e raridades, “O Poder do Pensamento Negativo” mostra que a Corrente de Jesus e Maria fez muito mais do que seis álbuns brilhantes em 25 anos de carreira. Muito daquilo que você não conhecia está reunido aqui. Pegue uma cerveja e ajoelhe-se.

“The Power Of Negative Thinking”, The Jesus and Mary Chain (Rhino)
Preço em média: R$ 200 (importado) Consultar na Velvet CDs
Nota: 10

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15/10/2008 - 07:00

500 Toques: Kynna, Seychelles e VI Geração da Família Palim


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“Underground”, Kynna (Independente)
Na voz, Lilian, uma das musas da Jovem Guarda. Na guitarra, a lenda Luiz Carlini. No repertório, canções poderosas do Autoramas (“Música do Amor”), Bidê ou Balde (“É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos”), Wander Wildner (“Eu Não Consigo Ser Alegre”), Graforréia (“Colégio Interno”) e Júpiter Maça (“Lugar do Caralho”). Porém, não basta juntar boas premissas para ter um grande disco. É preciso gravá-lo decentemente. Infelizmente, não é o caso. Falta som e bons arranjos em “Underground”, uma decepção.
Ouça no My Space da banda
Nota: 2

“Nananenem”, Seychelles (Mondo 77)
Em seu segundo álbum, o quarteto paulista volta a praticar a arte (muitas vezes tola) de ser difícil. “Nananenem”, como na estréia, está cheio de boas idéias que se perdem na tentativa vã de ser… diferente. Se o primeiro EP trazia a ótima “Papel” e na estréia brilhava a fodaça “Ninfa do Asfalto”, “a” canção de “Nananenem” é a teatral e discursiva “Ansiedade e Obsessão”, em que arranjo, melodia e letra se encaixam a perfeição. Parece que eles sabem como fazer, só não querem. Quem sabe o próximo.
Download gratuito no site oficial da banda
Nota: 4

“Porque No Te Calas?”, A VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia (Volume 1)
O combo paranaense está fazendo pela Turquia o que os paulistas do Tubainas do Demônio faziam pela pacata Birigui nos anos 90. Os “turcos” perdem de goleada para os “biriguenses” na comparação, o que não irá impedir ninguém de gritar os refrões grudentos de “Pe. Quevedo Não Vai Pro Céu” e “Filho de FDP”, gemer junto (ops) em “Digna de Honra ao Mérito” (homenagem à atriz pornô Mayara Rodrigues) e divertir-se em “Indie D+”, que conta com os indies do Charme Chulo. Nada de novo. No céu, Mamonas riem.
Preço em média: R$ 15 (no site oficial)
Nota: 5


Kynna ao vivo no Centro Cultural São Paulo


Seychelles apresenta “Ansiedade, Obsessão” ao vivo


VI Geração da Família Palim apresenta “Digna de Honra ao Mérito”

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14/10/2008 - 08:18

Disco da Semana: duas vezes Mudhoney


No momento em que completa 20 anos de sujeira, o Mudhoney brinda seu público e o rock and roll com um caprichado lançamento duplo: uma edição luxuosa com mais de 30 canções de “Superfuzz Bigmuff”, estréia da banda em 1988, e “The Lucky Ones”, oitavo trabalho do grupo de Mark Arm, que insiste em mostrar ao mundo como o rock pode ser desavergonhadamente barulhento e ao mesmo tempo interessante.

“Superfuzz Bigmuff” veio ao mundo em formato EP com seis canções, mas dois anos depois a Sub Pop já engordava o disquinho com mais seis faixas, os “Early Singles” como apresenta a versão nacional lançada pela Trama no começo da década. Esta reedição de luxo traz – além das doze faixas anteriores e duas faixas raras – três versões demo e quinze ótimos registros ao vivo da época em Berlim (16/11/1988) e na rádio KCSB-FM de Santa Bárbara (10/10/1988), nos Estados Unidos.

Impossível falar desse álbum sem passar pelas versões originais dos standarts arrasa-quarteirão “Touch Me I’m Sick”, “Sweet Young Thing Ain’t Sweet No More” e “Hate The Police”. A primeira aqui reaparece em duas versões ao vivo (a primeira com áudio prejudicado na introdução, mas recuperado a partir do primeiro refrão) e a segunda surge numa versão ao vivo fidelíssima registrada no show na Alemanha, 1988, com Mark Arm berrando a letra até onde seu vocal consegue alcançar.

“Mudride”, um dos épicos do primeiro EP, aparece em quatro (!!!!) versões, mas é na comparação do registro oficial com a demo que pode-se avaliar o excelente trabalho do produtor Jack Endino nos primórdios do grupo. Destaque ainda para “Twenty Four”, primeiro lançamento oficial do grupo – que já havia aparecido na obrigatória coletânea “March To Fuzz”; “The Rose”, da rara coletânea “Sub Pop 200”; “Here Comes Sicknes” em matadora versão ao vivo; e os 14 minutos demolidores de “Dead Love”.

Já “The Lucky Ones” continua seguindo a trilha de barulho aberta nos anos 2000 pelo ótimo “Since We’ve Become Translucent” (2004) e seguida pelo bom “Under a Billion Suns” (2006). Nada de invenção, prega o Mudhoney. O que interessa é guitarra e baixo afundados em um denso lodo de sujeira, a bateria limpa de Dan Peters e o vocal personal de Mark Arm tentando hipnotizar o ouvinte.

O álbum abre em alto nível com o “I’m Now”, uma porrada dançante de riff forte cujo refrão repete: “o passado não faz sentido / o futuro parece tenso”. O apelo sexual do título “Inside Out Over You” é embalado por uma bateria galopante e um ótimo riff psicodélico. A faixa título entra para o rol de canções destruidoras do Mudhoney, e deve ensurdecer desavisados ao vivo.

O pedal fuzz faz do riff de “Next Time” uma barulheira sem fim. “And the Shimmering Light” é uma das surpresas do disco com seu clima de rock nonsense, o break bluesy no meio e o tédio do refrão que diz: “Não há nenhuma palavra que explique o que você sente”. O baixo provoca na abertura de “The Open Mind”, que traz uma poderosa guitarra circular e a voz de Arm mais enfiada na mixagem do que costume.

“What’s This Thing?” destaca um refrão pegajoso enquanto “Running Out” paga tributo aos Stooges (como quase todo o álbum, na verdade). “Tales of Terror” é o momento quebra tudo do disco, uma homenagem ao grupo punk homônimo que já havia sido gravado por Mark Arm quando ainda integrava o lendário Green River. Uma porrada acelerada e destruidora que deve render momentos inesquecíveis em shows.

A arrastada “We Are Rising” anuncia que o disco está chegando ao fim, e embora o vocal de Mark Arm alcance momentos de brilho, a suavidade da melodia (com a barulheira afastada na mixagem) não convence, porém “New Meaning”, número de encerramento, traz à tona o bom e velho Mudhoney, mesmo com Dan Peters variando os ataques na bateria e a guitarra soando deliciosamente limpa no solo.

Entre “Superfuzz Bigmuff” e “The Lucky Ones” (que está ganhando edição nacional via Inker), passado e presente, lá se vão 20 anos de bons serviços prestados ao rock and roll. Comparativamente parece que se passaram apenas alguns segundos. Ainda bem. Os sortudos somos nós.

“Superfuzz Bigmuff – Deluxe Edition”, Mudhoney (Sub Pop)
Preço em media: R$ 65 (imporado)
Nota: 10

“The Lucky Ones”, Mudhoney (Inker)
Preço em media: R$ 25 (nacional)
Nota: 8

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08/10/2008 - 07:39

Disco da Semana: This Years Model – Deluxe, Elvis Costello


Com a palavra, Elvis Costello:

“Foi em 12 de julho de 1977, uma semana depois de eu deixar meu emprego. Ensaiávamos em um quartinho, e em dois dias eu estaria apresentando ao vivo minha nova banda, The Attractions. O tecladista tinha 19 anos, era estudante da Royal College of Music e foi sem dúvida o mais impressionante candidato nas audições. Ele pediu para ficar e ouvir o teste dos outros tecladistas, e mais tarde o descobrimos dormindo entre os amplificadores após ter matado uma garrafa de vinho. Ele era, obviamente, o homem para o trabalho. Seu sobrenome familiar era Nason, e todos o apelidaram de Mason, mas logo o começaram a chamar de Steve Nieve.

O baixista, Bruce Thomas, era uma pouco mais velho do que nós, já tinha gravado algumas coisas e tinha experiência de estúdio e de estrada. O baterista, após alguns anos trabalhando na Califórnia, estava voltando para a Inglaterra. Meu manager, Jake Riviera, tinha persuadido ele a ficar oferecendo-o um teste para ser o baterista da banda. Ele chegou a Londres e foi direto para o estúdio onde Nick Lowe acabará de mixar ‘Watching the Detectives’. Ele se chamava Pete Thomas, era três meses mais velho que eu, e eu nunca sequer pensei em outro baterista. Eu tinha apenas 22 anos e estava lançando o meu primeiro álbum”.

(pausa)

Um pequeno parênteses, caro leitor. ‘My Aim Is True’, debute de Elvis Costello, foi lançando em julho de 1977. Ele gravou o álbum com músicos de estúdio, e assim que pôde saiu a caça de jovens talentos para sua banda. Elvis Costello and The Attractions estrearam ao vivo dia 14 de julho de 1977 e seguiram numa turnê por meses e meses entre Inglaterra e Estados Unidos enquanto preparavam o material para o segundo álbum, o primeiro com o grupo soando realmente como uma banda, que foi lançado nove meses depois da estréia. Continua o músico:

(fecha pausa)

“‘This Years Model’ foi gravado em Londres, nos estúdios Eden, em onze dias. Os Attractions fizeram uma grande diferença para estas canções. ‘(I Don’t Want To Go To) Chelsea’, por exemplo, tinha a mesma batida de guitarra de ‘I Can’t Explain’, do The Who (e também ‘Clash City Rockers’, do Clash). Bruce e Pete apareceram com um arranjo muito mais sincopado e Steve fez uma parte de teclado que parecia uma sirene. Sua configuração do teclado estava limitada a um órgão Vox Continental e um teclado barato. Eu, por fim, tive que mudar a minha guitarra.

Ao trabalhar nas músicas, eu falava para eles dos discos que eu mais gostava. Foi só depois de alguns meses que descobrimos que Steve gostava de rock pós Alice Cooper e T.Rex enquanto Pete, Bruce e eu certamente tínhamos ouvido Beatles e Small Faces, e quase todos concordávamos sobre os Rolling Stones (ao menos ‘Aftermath’, que foi o álbum que eu mais escutei naquele período. ‘This Years Girl’ é minha resposta para ‘Stupid Girl’). Nunca entendi as acusações de misóginia que foram feitas sobre este álbum. A maior parte das canções são obras da imaginação e não produtos da realidade. As tentações e distrações da vida em turnê logo iriam adicionar um olhar mais cínico e culpado sobre ‘Little Triggers’, ‘Pump it Up’ e ‘Hand in Hand'”, comenta Costello.

“This Years Model” foi lançado em março de 1978 e desde então freqüenta listas de melhores de todos os tempos. Foi eleito o álbum do ano pelos críticos do Village Voice quando lançado. Em 2000, a Q magazine o colocou na posição número 82 entre os 100 maiores álbuns britânicos de todos os tempos. Em 1987 o álbum apareceu na 11ª posição de uma lista da Rolling Stone norte-americana que apontava os grandes discos entre 1967/1987. Em 2003 ele surgiu na posição 98 de uma lista dos 500 maiores discos de todos os tempos, novamente da Rolling Stone. Em 1995, Alan Cross, autor do “Almanaque da Música Alternativa”, cravou o disco na sétima posição entre os dez álbuns clássicos do cenário independente.

O álbum já havia ganhado uma reedição especial em 2003, que além das notas de produção assinadas por Elvis Costello que abrem – adaptadas – este texto (e podem ser lidas na integra aqui) trazia ainda um CD bônus com doze raridades da época, destaques como “Big Tears” (gravada nas sessões do álbum, e que conta com Joe Strummer, do Clash, na segunda guitarra), “Stranger in The House” (gravada ao vivo em uma John Peel Session em outubro de 1978), versões alternativas para “This Years Girl” e “(I Don’t Want To Go To) Chelsea”, registros ao vivo inéditos para “Neat Neat Neat” (cover do Damned) e “Roadette Song”, e versões demo de “Greenshirt” e “Big Boys” além de duas canções em sessões na Capitol Radio: “You Belong To Me” e “Radio, Radio”.

Esta nova edição de luxo que chegou às lojas do Reino Unido no primeiro semestre (EUA em agosto) deixa de fora as canções gravadas ao vivo na Capitol Radio e na BBC, mas inclui todas as demais em um primeiro CD e traz, de extra, “Tiny Steps” (que já havia sido editada na versão Rhino do álbum “Armed Forces”) e um show completo inédito da banda no segundo CD compreendendo 17 números arrepiantes. O registro transmitido ao vivo por uma rádio data de 28 fevereiro de 1978 (uma semana antes do famoso registro no El Mocambo, comercializado oficialmente no raro boxe “2,1/2”), no Teatro Warner, em Washington DC, nos Estados Unidos, e impressiona como uma banda formada menos de oito meses antes esteja tão afiada e entrosada sobre um palco.

O show começa com “Pump It Up” em versão consagradora. Bateria e baixo formam uma massa musculosa sobre a qual Costello microfona sua guitarra até Nieve disparar, nos teclados, a melodia marcante da canção. Alternam-se então canções do primeiro álbum (“Waiting for the End of the World”, “(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes”, “Less Than Zero”, “Mystery Dance”, “Miracle Man” e uma estupenda versão de “Watching the Detectives” com seis minutos de improvisos geniais) e daquele que viria a ser o segundo álbum do grupo (versões fresquinhas – de quem ainda está se acostumando com o novo repertório – para “No Action”, “Radio, Radio”, “You Belong To Me”, “Hand and Hand”, “The Beat” e, claro, “(I Don’t Want To Go To) Chelsea”) num daqueles shows que a gente daria uma parte do corpo (ou um pedaço do coração) para ter visto na época.

“This Years Model” é um disco nota 10, mas surge prejudicado em uma reedição picareta. Com exceção do excelente show contido no CD 2, “Deluxe Edition” em comparação é quase idêntico no tracking list (três canções foram limadas nesta reedição) e inferior no tratamento dado ao encarte na versão da Rhino lançada em 2003. Uma solução honesta seria lançar o show separadamente, mas a Universal decidiu caprichar no visual do pacote, ignorar as ótimas notas de produção assinadas pelo músico em todos os discos da versão da Rhino, limar três canções e enfiar o show inteirinho no CD 2, uma opção picareta que demonstra – mais uma vez – a falta de respeito das gravadoras para com o público. O erro já havia sido cometido na reedição semelhante do álbum “My Aim Is True” e deverá se repetir com “Armed Forces”, provável próximo relançamento. Um disco clássico e um registro ao vivo excelente mereciam maiores cuidados. E os fãs também.

“This Years Model – Deluxe Edition”, Elvis Costello and The Attractions
Preço em média: R$ 80 (importado)
Nota: 10


“No Action”, com Elvis Costello, ao vivo em Detroit, EUA, 1978


“Welcome To The Working Week” e “(I Don´t Wanna Go To) Chelsea” ao vivo no David Letterman


10 minutos sensacionais de “I Want You” ao vivo no Tim Festival 2005

Leia também:
– “My Aim Is True – Deluxe Edition”, Elvis Costello, por Marcelo Costa (aqui)
– “Momofuku”, Elvis Costello and The Imposters, por Marcelo Costa (aqui)
– “Elvis Costello ao vivo em São Paulo, 2005″, por Marcelo Costa (aqui)

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01/10/2008 - 09:00

500 Toques: The Verve, Damon Albarn e Oasis


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“Forth”, The Verve (EMI)
Se anos após o fim da banda, a carreira solo e nem os projetos paralelos emplacaram, a reunião é inevitável. O Verve volta a ser quarteto (Simon Tong ficou de fora) com um álbum que não tem nenhum hino urbano, mas junta canções psicodélicas como a poderosa “Love is Noise” com baladinhas acústicas como “Valium Skies”. Assim como em “A Northern Soul”, das doze canções, dez ultrapassam os cinco minutos, o que faz ter saudades dos tempos do vinil. Nada que os bons oito minutos da porrada “Noise Epic” não resolvam.
Preço em média: $30 (nacional)
Nota: 7,5

“Monkey: Journey to The West”, Damon Albarn (XL)
Em alguns momentos, “Monkey” – trilha inspirada na ópera adaptada de um romance chinês do século 16 por Albarn, Hewlett e Chen Shi-Zheng – parece como se os integrantes do Kraftwerk tivessem nascido em 1999 e lançassem agora o seu primeiro álbum (aos 9 anos). Em outros não se entende nada. Albarn, que já tocou com músicos de Mali, com o baixista do Clash e com personagens de desenho não descansa, o que não quer dizer que acerte sempre. Aqui, por exemplo, parece que ele errou. Será? Cadê o Blur??
Preço em média: $50 (importado)
Nota: :o)

“Dig Out Your Soul”, Oasis (Sony&BMG)
Descontando a chupada do Doors em “Waiting For The Rapture”, o 7º álbum de estúdio dos Gallagher faz bonito. “Dig Out Your Soul” perde para os dois primeiros álbuns, clássicos, mas briga a tapas pelo bronze com o drogadaço “Be Here Now”. O rockão de abertura “Bag It Up” (com riffs ásperos de guitarra e ótimo vocal de Liam), “The Shock of the Lightning”, “Lord Don’t Slow Me Down” (do excelente CD bônus da edição de luxo) e mesmo a “Five To One Oasis Version” (sic) fazem sorrir num discaço de rock.
Lançamento: 06 de outubro
Nota: 8,75


Clipe oficial de “Love is Noise”, do Verve


Ouça trechos do novo álbum do Oasis


Ouça “Monkey Bee”, da trilha da ópera Monkey, por Damon Albarn

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29/09/2008 - 10:18

Disco da Semana: Adorata EP, The Gutter Twins


Greg Dulli passou os anos 90 infernizando o mundo com melodias apaixonadas entre o rock e o soul, letras surrealistas e pornográficas e muito barulho com sua banda, o Afghan Whigs. Nos anos 00 decidiu começar tudo de novo, engavetou os Whigs e criou o Twilight Singers, que lançou cinco álbuns até o momento. Agora é a vez do Twilight Singers ir para o banco de reservas e ceder lugar para o The Gutter Twins, projeto de Dulli ao lado do amigo Mark Lanegan.

Mark Lanegan, você conhece: é um dos caras acima de qualquer suspeita no cenário rocker mundial. Era vocalista do ótimo Screaming Trees e quando, em 1989, foi gravar sua estréia solo, chamou amigos para participarem da gravação. Na mítica cover de “Where Did You Sleep Last Night”, de Leadbelly, ele conta com o auxilio de Kurdt Kobain (grafado exatamente assim) na guitarra e Chris Novoselic no baixo, núcleo da banda que viria a ser conhecida três anos depois como Nirvana.

Nos últimos anos, Lanegan se especializou em participar de grandes projetos seja ao lado do Queens of The Stone Age (com quem gravou – entre outros – o matador “Songs For The Deaf”, um dos dez melhores discos da década independente dos outros nove), com Isobel Campbell, ex-Belle and Sebastian (parceria que já rendeu dois álbuns), Soulsavers (o belíssimo “It’s Not How Far You Fall, It’s The Way You Land”, de 2007), fora participações em álbuns de PJ Harvey, Melissa Auf der Maur e muitos outros.

Mark Lanegan já vinha colaborando com Greg Dulli nos discos do Twilight Singers e costumava marcar presença em alguns shows do grupo (é famoso o áudio de um show devastador do grupo acrescido de Lanegan em Bruxelas, 2006), o que facilitou o processo de criação do The Gutter Twins, cuja estréia oficial se deu em março com o lançamento do álbum “Saturnalia”, pelo selo Sub Pop, e agora retorna ao mercado – apenas via iTunes – com “Adorata”, um EP caprichado com oito faixas redentoras.

“Adorata”, assim como os shows de Dulli e Lanegan, é recheado por covers inusitadas que vão de Primal Scream e Scottt Walker, passam por José Gonzalez e Vetiver e inclui uma “Flow Like a River”, do Eleven, banda que conta com Jack Irons, ex-baterista do Red Hot Chili Peppers e do Pearl Jam, e Natasha Shneider, amiga dos músicos e membro do Queens of The Stone Age, que morreu de câncer no começo deste ano. Parte da renda da venda do EP será destinada para a ONG Natasha Shneider Memorial Fund.

Boa parte de “Adorata” foi gravada parcialmente ao vivo durante as sessões de “Saturnalia” com Greg Dulli alternando-se entre vocal, piano, guitarra e, inclusive, bateria, e Mark Lanegan segurando o microfone. O EP abre com a suave versão de “Belles”, do Vetiver (banda próxima a Devendra Banhart), que mantém a leveza folk da canção inserindo uma bateria sincopada, mellotron e harmonium marcantes e uma bonita guitarra espacial afastada na mixagem.

“Down The Line”, um dos cavalos de batalha de José Gonzàlez, surge acelerada numa versão contagiante que destaca belíssimos trechos de violino. “Deep Hit Of Morning Sun” deixa a eletrônica da versão original do Primal Scream para valorizar a linha vocal e a explosão de guitarras no refrão. Por sua vez, “Flow Like A River”, do grupo Eleven e uma das grandes canções de “Adorata”, lembra a versão original de “Deep Hit Of Morning Sun”. Destaque para o poderoso refrão grunge.

“St. James Infirmary” é uma trágica canção tradicional de autor desconhecido composta entre o final do século 18 e o começo do século 19 e que narra a desventura de um homem que ao ir ao hospital descobre que perdeu seu filho e sua mulher no parto. Lanegan já havia gravado uma versão em dueto com Isobel Campbell, mas está versão de “Adorata” impressiona com uma melodia mais forte e densa que materializa sua tragicidade embalada pela marcação blues e com órgão ao fundo.

“Duchess” vem na seqüência numa versão folk tão suave e fiel ao arranjo original que faz sorrir. Gravada por Scott Walker em “4” (de 1969), a canção favorece o tom vocal de Mark Lanegan, que emociona. Para o final, duas belas faixas inéditas gravadas em sessões na California: “Spanish Doors”, com arranjo orquestral e um crescendo mortífero, e “We Have Met Before”, típica canção de Greg Dulli, que começa leve e explode levando todos os instrumentos consigo.

Com “Adorata” e “Saturnalia”, Greg Dulli e Mark Lanegan entram na briga pelo posto de melhor álbum de 2008, o que não chega a ser surpresa para quem acompanha a qualidade do trabalho destes dois interpretes em versões como “Live With Me” (Massive Attack), “Hyperballad” (Bjork) e “A Love Supreme” (John Coltrane), covers registradas em álbuns do Twilight Singers e que já davam uma pequena amostra do que poderia render essa parceria. Aproveite.

Ps. o nome do projeto não poderia ser mais perfeito. The Gutter Twins signfica Os Gêmeos da Sarjeta e ampara-se em uma velha frase de Oscar Wilde: “Estamos todos na sarjeta, mas alguns ainda olham as estrelas”.

“Adorata”, The Gutter Twins (One Little Indian/Sub Pop)
Preço em média: US$ 0,99 por música via iTunes
Nota: 9


“Down The Line” com o Gutter Twins ao vivo em Nova York, 02/08


“Duchess” com o Gutter Twins


“St. James Infirmary” com o Gutter Twinsao vivo em Hollywood

Leia também:
– “Powder Burns”, The Twilight Singers, por Marcelo Costa (aqui)
– “Live at Brussels”, The Twilight Singers, por Marcelo Costa (aqui)
– “It’s Not How Far You Fall, It’s The Way You Land”, Soulsavers (aqui)

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